A Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas (PMLF), através da Secretaria de Saúde (Sesa), promoveu na manhã desta segunda-feira (29), o lançamento do programa "Cuidando de Anjos", que faz parte dos eixos do Plano Municipal Emergencial de Combate ao mosquito Aedes aegypti e à Tríplice Endemia, com o intuito de acolher as famílias com histórico de condições neurológicas de microcefalia nas crianças.
Na oportunidade, esteve presente o médico infectologista, Antônio Bandeira, participante da equipe que descobriu o vírus Zika no Brasil, além da neuropediatra que atende na Rede Municipal de Saúde, Renata Episcopo e a equipe de profissionais que atenderão na vertente de reabilitação das crianças. A família que necessite de atendimento voltado aos casos da referida condição neurológica deve dirigir-se a Central Municipal Humanizada de Marcação da Saúde (CEHMS), localizada na Avenida Beira Rio, para que seja inscrita no grupo de acompanhamento médico e diagnóstico do programa Cuidando de Anjos.
“Ser mãe de crianças especiais é assumir uma missão de coragem e de amor. O Programa Cuidando de Anjos vem para que vocês tenham suporte e prioridade de assistência para essas crianças. A gestão convidou o infectologista Antônio Bandeira por reconhecer a importância em cuidar dessas famílias, em cuidar dessas crianças, que são anjos, que vieram para ensinar à essas famílias a conviver com as adversidades, transformando essas mães em leoas e que estão de mãos dadas com um exército do bem a disposição”, salientou o secretário de saúde, Emanuel Carvalho.
Nesse primeiro encontro as responsáveis preencheram questionários que contribuirão na construção do mapeamento individual da causa de microcefalia e disponibilizaram amostras sanguíneas da criança e da mãe que serão inseridas nas pesquisas em torno da relação entre o vírus Zika e a malformação.
“Primeiramente agradeço imensamente a possibilidade de iniciarmos esse trabalho em Lauro de Freitas. Essa idéia é de que vocês tenham um acompanhamento, para que possamos entender melhor o que está acontecendo. Estejam engajados conosco nessa luta de apoiar os casos de microcefalia, de cuidar dessas crianças, trazendo os prognósticos para vocês”, atentou Bandeira.
A PMLF também obteve dados para viabilidade do benefício social junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além do passe livre para transporte público. Essa coletividade de laurofreitenses que estão enfrentando essa realidade com seus filhos puderam trocar experiências, tirar dúvidas e trocar informações. Alguns pais também acompanharam as mães, por entenderem a importância paterna nesse processo de conhecimento e inserção dos recém-nascidos nos tratamentos de reabilitação e enfrentamento para conquista de seus direitos.
Desde dezembro de 2015, o Ministério da Saúde adotou a medida de 32 centímetros para triagem e identifica ção de bebês possíveis portadores de microcefalia. Um dos pontos comuns das crianças com microcefalia relatado pelos pais é o choro exacerbado, porém de acordo com a neuropediatra, Renata Episcopo, não está relacionado diretamente à dor, mas sim à um desenvolvimento precoce dos reflexos ou ainda ao refluxo gástrico partilhado nos pacientes.
“Esse programa mostra a grandiosidade em volta da microcefalia. O país está em estado de alerta, mas vocês terão esse acompanhamento, esse trabalho da estimulação precoce, para que as possíveis sequelas nestas crianças sejam reduzidas e assim tenham uma vida normal”, apontou a especialista em neuropediatria.
