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Jovem espancado por PMs na Itinga faz denúncia na secretaria de Direitos Humanos e Ministério Público


"Não tenho nada contra a PM, só quero que trabalhem direito", diz serralheiro agredido. Ministério Público, Corregedoria da PM e Secretaria da Justiça foram acionados após caso de violência.
(Foto: Evandro Veiga/CORREIO)


Cinco dias depois de ser agredido por dois policiais militares, o serralheiro Moisés Gonçalves, 18 anos, finalmente foi ouvido formalmente sobre o assunto. Ontem, ele esteve na sede da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), para formalizar a ocorrência. Os PMs continuam livres e exercendo as atividades.

Na última quarta-feira, Moisés foi retirado de dentro de um prédio e espancado por dois policiais do setor de Inteligência da 81ª Companhia Independente da Polícia Militar (Itinga), em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.

As agressões aconteceram dentro do condomínio Quinta da Glória, em Itinga, e foram registradas através do celular por um morador. Moisés foi levado no porta-malas de um Voyage branco para um matagal, onde voltou a ser espancado com socos, chutes e até uma barra de ferro. Os PMs jogaram álcool na cabeça dele e só o levaram para a delegacia depois de receber uma ligação.

Assustada, a família havia desistido de prestar queixa, mas Moisés mudou de ideia depois de conversar com um dos representantes da Organização Não Governamental Coletivo de Entidades Negras. “Não podemos recuar, porque a falta da denúncia, o medo, é que alimentam ainda mais essa violência. É denunciando que vamos inibir esses agentes e outros de continuarem provocando essas situações”, afirmou um dos coordenadores da ONG em Lauro de Freitas, Ricardo Andrade.

Segundo a superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, Anhamona de Brito, Moisés foi ouvido na Coordenação de Proteção e as declarações seriam encaminhadas ainda ontem ao Ministério Público da Bahia.

“Com as informações trazidas e formalizadas na Coordenação, nós vamos provocar o Ministério Público Estadual, considerando que o Ministério atua na condição de órgão fiscalizado da atividade policial”, informou.Existe também a possibilidade de o serralheiro e a família dele serem incluídos no programa de proteção a testemunhas. O secretário da pasta, José Gearaldo Reis, condenou o comportamento dos PMs. “Não podemos naturalizar a violência, seja ela civil ou militar. Qualquer caso de abuso e de exploração do uso da força policial em serviço deve ser averiguado e punido”, afirmou.

Ontem, um servidor da Secretaria acompanhou Moisés até a Corregedoria da PM para apresentar a queixa e depois ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) para fazer o exame de corpo de delito.Moisés disse que não esperava a repercussão e que a família ainda está assustada com tudo o que aconteceu. “Eu não sei quantas vezes já repeti essa história. Ficar repetindo, lembrando os detalhes, dói, machuca, mas é necessário. Eu não quero que os policiais percam o emprego deles, não tenho nada contra o trabalho da PM, só quero que eles trabalhem direito”, afirmou Moisés.

A titular da 27ª Delegacia (Itinga), Elaine Laranjeiras, contou que Moisés não prestou depoimento no dia do crime porque não havia delegado na unidade – que trabalha em horário administrativo. “Ele é aguardado para ser ouvido, mas até hoje (ontem) ainda não veio à delegacia. Talvez, após ele prestar queixa na Corregedoria da PM, as declarações sejam enviadas para a gente”, disse.

A assessoria da PM não divulgou os nomes dos dois policiais envolvidos na ação e informou em nota que a Corporação vai apurar o caso. “A Corregedoria da Polícia Militar irá apurar administrativamente a conduta dos policiais militares que prenderam um homem no último dia 24, em Itinga. Os policiais continuam exercendo as atividades”, diz a nota.


Fonte: Correio da Bahia