Poluição mata rios e põe em risco vida de moradores de Lauro de Freitas
O município de Lauro de Freitas, no Litoral Norte da Bahia, é reconhecido pelos seus encantos naturais, pela presença de belas praias, como as praias de Ipitanga, Vilas do Atlântico e Buraquinho, e pelos principais rios do município: o Joanes, que desagua no Oceano Atlântico e separa Lauro de Freitas e Camaçari, o Ipitanga, que corta a cidade desaguando no Joanes, além dos rios Sapato e Goró.
De acordo com dados divulgados pelo IBGE em 2012, o município possui 57 quilômetros quadrados, uma população de aproximadamente 191 mil pessoas, densidade demográfica de incríveis 3.320 pessoas por quilometro quadrado e pífios 9% de residências ou comércios com esgotamento sanitário.
Poluição
Nos últimos 10 anos, a cidade cresceu de forma desordenada, sem planejamento urbano e um projeto de melhoria da qualidade de vida de seus habitantes. A falta de investimento no saneamento básico no município põe em risco a vida dos moradores, além de ser responsável pela destruição da fauna e da flora e pela mortandade de toneladas de peixes na região noticiada ciclicamente pelos veículos jornalísticos.
Os principais rios do municípios, citados acima, já estão em acelerado processo de deterioração. Em Buraquinho, por exemplo, o rio Joanes encontra com o mar formando uma paisagem bonita, porém poluída. Há cerca de quatro anos, a famosa e turística praia de Buraquinho vem sendo avaliada e apontada como imprópria para o banho pelo Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Inema).
Descaso
Os cerca de 23 mil moradores e comerciantes de Vilas do Atlântico descartam seus dejetos no Rio Sapato, um dos afluentes do Rio Joanes, que é responsável por 40% do abastecimento de água em Salvador. E, diante de toda essa situação, nenhuma providência é tomada pelas gestores do município. Joga-se de tudo no rio, como se os recursos hídricos fossem poderosas fossas autolimpantes.
Prefeitos, vereadores, secretários, diretores, cargos e cachos públicos que fazem ou fizeram parte da máquina pública de Lauro de Freitas parecem não dar a real importância ao problema. Empresas, empreiteiras e moradores pobres e ricos se deliciam usando, abusando e acabando o que ainda nos resta de recursos naturais. E poder público, que deveria tomar providências cabíveis e responsáveis, continua a empurrar a culpa pra alguém, seja para a Embasa ou para a gestão de outros municípios vizinhos, e assiste a tudo de braços cruzados, com a tranquilidade que no final dos mandatos o problema sempre há que de cair no colo do próximo, que por sua vez empurra adiante.
Ações
A degradação do Rio Joanes motivou um grupo de moradores de Lauro de Freitas a formar a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público Rio Limpo (Oscip), em 2009, que persiste até hoje denunciando e cobrando ações efetivas do poder público.
Em 2010, a Embasa iniciou as obras de esgotamento sanitário na cidade com R$ 170 milhões de reais liberados pelo PAC 1 do Governo Federal e com projeção de entregar, em 2013, 95% de esgotamento sanitário. Porém, segundo a Embasa, as obras foram interrompidas por questões burocráticas.
De acordo com a Embasa, quando pronto, o sistema de esgotamento terá 222 quilômetros de rede coletora, 33 estações de bombeamento e 40 mil ligações domiciliares. Com a conclusão da rede, o sistema será integrado ao de Salvador e o esgoto de Lauro de Freitas será enviado para o emissário submarino da Boca do Rio.
No inicio da gestão Marcio Paiva, no ano de 2013, as obras de esgotamento sanitário, iniciadas na gestão passada, foram anunciadas pelo prefeito como prioridades. Nesta época, foi noticiada uma reunião com os então secretários André Luis Santos (Infraestrutura), Giuseppe Pipolo (Serviços Públicos) e Márcio Crusoé (Meio Ambiente) com Júlio Mota, superintendente de Meio Ambiente e Projetos da Embasa, para tratar do reinício imediato das obras da rede de esgoto da cidade. Mas, pelo visto, o prefeito tem memória curta e as prioridades foram outras.
Eleição e Solução
Estamos em 2016, no final da gestão de Márcio Paiva, dos cargos e dos 17 vereadores eleitos em 2012 e o nosso município continua à deriva. Esse também é um ano de campanha política para novas eleições, por isso, a solução terá que vir da pressão, da cobrança efetiva e da união dos moradores e entidades civis de Lauro de Freitas, a exemplo da Rio Limpo, Amova, Salva, Amon, Rotary Club, Rotary Club Centro, Lions Club, Maçonaria. Unidas, essas entidades poderão exercer pressão politica junto às autoridades publicas para o imediato reinicio das obras de esgotamento sanitário e só assim conseguir a revitalização dos nossos rios e a recuperação da nossa qualidade de vida que há tempo nos foi roubada. É hora de unir forças. Vote consciente.
Editorial da LFVT