
por Maria de Lourdes Lobo Ramos
Eu nunca tive dificuldade para compreender as muitas razões do ódio que os pobres nutrem pelos ricos, às vezes traduzido e refletido em reações consideradas insanas.
Ontem, mais uma vez, pude constatar o quanto os exploradores menosprezam o sofrimento dos explorados nesse país. Márcio Oliveira dos Santos, 35 anos, companheiro da trabalhadora doméstica que me ajudou a criar meus três filhos, foi assassinado na Fazenda Santo Antônio, em Simões Filho, no dia 19 de NOVEMBRO, supostamente por outro trabalhador.
Ocorre que o DONO da fazenda, apesar de ter se servido do suor de Márcio desde os 12 anos de idade, quando o menino pobre nascido na Lagoa dos Patos começou a cuidar dos ricos jardins de seus familiares em Vilas do Atlântico, até hoje não se deu ao trabalho de comunicar o fato aos familiares do morto.
Porque conheço parte da rica família e tinha deles a impressão de uma boa formação, fiquei, além de indignada, perplexa com a frieza com que trataram o fato.
Será que para esse indivíduo FAMÍLIA é somente a sua? Sofrimento só existe quando morre um ente querido seu? Pra mim, esse moço rico é na verdade um pobre DIABO. Tomara a vida consiga lhe ensinar o que os seus familiares certamente não conseguiram.
Hoje nós vamos sepultar Márcio com a dignidade que ele merece. Eu vou ajudar Lia a criar Marcinho e lhe ensinar desde os seus 5 anos de idade a ser diferente dessa gente NOJENTA!