No fim de semana prolongado pelo feriado do 21 de abril, a esquerda brasileira perdeu três de seus mais representativos quadros. No domingo morreram o ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), o deputado estadual de Pernambuco, Manoel José dos Santos, 63 anos – o Manoel da Serra – e o editor e jornalista José Adolfo de Granville Ponce, o Granva, 81 militante dos históricos PCB e da Aliança Libertadora Nacional (ALN). Na 2ª feira faleceu aos 66 anos o ex-deputado Pedro Eugênio (PT-PE).
Líder do PT na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Manoel da Serra estava tratando um câncer no esôfago no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Nascido em Serra Talhada – alto sertão de Pernambuco, conterrâneo de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião – Manoel da Serra começou a trabalhar na roça aos seis de idade e ainda agora deixa terras e “criação” de gado, cavalos e cabritos em sua terra natal.
Começou sua militância aos 20 anos integrando a Ação Católica Rural nordestina. Não parou mais. Filiado ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de sua terra, com o assassinato do presidente da entidade em 1978, em plena ditadura militar, Manoel assumiu várias funções mantendo-se à frente da entidade mesmo ante a forte repressão daqueles tempos.
No início da década de 90 foi eleito presidente da Federação de Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (FETAP). Em 1998 chegou à presidência da CONTAG, reeleito em seguida com 80% de aprovação. Antes dele os presidentes da CONTAG se reelegiam indefinidamente. Manoel instituiu norma limitando a três o número de reeleições.Foi ainda o primeiro secretário rural da CUT e dirigente do PT – central e partido que ajudou a fundar. No ano passado elegeu-se deputado estadual com 55.310 votos.
Homem de fala mansa, afável e exemplar, foi um dos mais destacados brasileiros de seu tempo na luta pela construção e conquista de direitos para os trabalhadores rurais, motivo de orgulho, dentre tantos outros, para seus companheiros, sua viúva e para os quatro filhos. Leiam aqui a íntegra da entrevista que Manoel da Serra concedeu a este blog.
Granva
Os fins de semana e feriados ficarão mais tristes agora na casa do bairro paulistano do Jardim Previdência em que o alegre e comunicativo José Adolfo de Granville Ponce, o Granva, reunia os antigos companheiros de militância em animados churrascos nos quais ele apimentava acaloradas discussões sobre o processo político brasileiro após a redemocratização do país.
Militante do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) em suas origens políticas, ele deixou o Partidão para ingressar na ALN liderada por Carlos Marighela. Durante a ditadura foi preso em janeiro de 1969, torturado a exemplo da maioria de seus companheiros e só 2,5 anos depois deixou a prisão. Como jornalista trabalhou nos jornais Correio da Manhã, Tribuna da Imprensa e Asa Press, no Rio, e Diários Associados e revista Realidade (Editora Abril) em São Paulo.
Com o também jornalista Alípio Viana Freire e o escritor Izaías Almada, Granva colheu e organizou a coletânea de depoimentos “Tiradentes, um presídio da ditadura”.Granva deixa viúva e dois filhos.
Pedro Eugênio
Economista por formação, o ex-deputado Pedro Eugênio estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa em São Paulo desde janeiro. Tratava de problemas cardíacos e não resistiu a uma cirurgia coronariana. Seu corpo foi levado ao Recife onde foi velado na 3ª feira e na manhã desta 4ª feira. A cerimônia de cremação está prevista para às 11h de hoje (4ª feira) no cemitério Morada da Paz, em Paulista (PE), região metropolitana do Recife.
Conforme destacou a presidente do diretório estadual do PT de Pernambuco, Teresa Leitão, Pedro Eugênio deu importante contribuição à formulação e implantação da política de crédito rural no Banco do Nordeste (BNB). De 2003 a 2006, ele foi diretor de Gestão e Desenvolvimento do BNB, durante o primeiro governo Lula. “Ele sempre foi muito disciplinado e trouxe para o PT o debate do papel da economia na inclusão social”, disse Teresa.
Em sua resistência e luta contra a ditadura militar (1964-1985), Pedro Eugênio também foi preso e torturado em 1972 pela repressão política. Era um atuante quadro do PT desde 2001. Antes, foi secretário estadual de Agricultura (1987), de Planejamento (1988) e da Fazenda (1996) nos governos de Miguel Arraes, deputado estadual (1995-1998) e deputado federal por três mandatos (1999-2002; 2007-2010; 2011-2014). O ex-deputado deixa a mulher, Carminha, e as filhas Renata e Marina.
Fonte : Blog de José Dirceu