Após quase 10 horas de julgamento, Cláudio Eduardo Campanha da Silva, 41 anos, foi condenado a 14 anos, em regime fechado, por ter mandado matar Antonio Luiz Lima dos Santos, o Bola, em 2008. A defesa do réu já anunciou que vai recorrer da decisão. Campanha havia sido absolvido da acusação de homicídio contra Daniel dos Santos Souza e Bola, em júri realizado em 2011. Mas o Ministério Público (MP) recorreu da decisão a respeito da segunda vítima.
O MP alegou que a sentença do Colegiado Popular foi contrária às provas dos autos, entre elas, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, em que o réu determina que um homem, conhecido como Visconde, execute Bola. A vítima foi assassinada a tiros em 26 de novembro de 2008 na 4ª Travessa Bela Vista, em Narandiba.
Daniel foi morto dois dias depois no bairro do Lobato, mas o MP entendeu que os relatos dos policiais e testemunhas não trouxeram subsídios para o pedido de um novo julgamento.
Para o promotor Davi Gallo, os jurados se sentiram assustados em 2011 por Cláudio Campanha ser o líder de uma organização criminosa que estava nascendo. Gallo explica que Bola foi assassinado porque devia R$ 60 mil a Campanha. "No jargão dos criminosos, Bola deu uma quebrança de R$ 60 mil. Logo depois de executar o crime, Visconde ligou para Campanha dizendo que tinha bagaçado (matado) Bola. Em outras escutas, Campanha ordena o assassinato", explica o promotor.
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Davi Gallo ainda afirmou que Cláudio Campanha continua sendo o líder da CP e os outros traficantes devem obediência a ele. "Os outros integrantes do auto escalão da CP estão todos presos a exemplo de Val Bandeira e Seu Peste. Do lado de fora, um exército de traficantes cumprem as ordens", ressalta.
Já o advogado de Campanha, Antônio Glorisman, diz que seu cliente não pode ser líder de organização criminosa, pois está preso há seis anos no presídio federal de segurança máxima de Catanduvas (PR), onde concluiu o ensino fundamental, médio e pretende fazer vestibular para o curso de Direito. "O presídio é todo monitorado. Não tem como meu cliente ser líder de facção alguma", afirma. No entanto, Gallo afirma que em 2014 Campanha recebeu 37 visitas, sem contar a dos advogados. "Não estou acusando os advogados nem familiares, mas de alguma forma as ordens estão chegando", afirma.
O advogado Paulo Vilaboim foi o defensor de Cláudio Campanha na acusação de homicídio contra Bola. "O júri anterior já havia absolvido meu cliente. Inexistem provas contra Cláudio de ter sido autor ou mandante do crime. Agora, vamos recorrer por nulidade absoluta do processo. Foi uma decisão injusta. Não há prova nenhuma que se sustente", afirma.
Para o defensor, a testemunha trazida pelo MP para falar sobre as escutas telefônicas não tem validade por não ter sido a mesma pessoa que acompanhou as gravações. Antônio Glorisman pede que seu cliente seja condenado apenas pelos crimes que cometeu. "Não quero endeusar Campanha. Só queremos que ele pague pelos crimes que cometeu que foi de roubo e porte ilegal de armas", destaca.
Cláudio Campanha foi preso em novembro de 2008, no Ceará, quando era o bandido mais procurado pela polícia bahiana. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, Campanha herdou os pontos-de-venda de drogas em Salvador, antes dominados por Éberson Santos, o Piti, morto em 2007. Ainda foram atribuídas pelo menos 100 mortes à quadrilha de Campanha nos anos de 2007 e 2008.
A exemplo das chacinas do Alto das Pombas, em junho de 2008, e do CIA, em Simões Filho, em março do mesmo ano - ambas com quatro mortes. A rede de narcotráfico movimentava, segundo a SSP, cerca de R$ 2,4 milhões ao mês. Conforme informações do site do Tribunal de Justiça, Campanha responde 21 processos por tráfico de drogas, homicídios e roubo.
