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FOI RETIRADA DO AR!

Cobrador usa o jiu-jitsu para educar jovens em Valéria

Treinos acontecem de segunda a sexta, às 17h, na rua direta Lagoa da Paixão, em Valéria
Em 2011, Valéria figurava entre os bairros mais violentos de Salvador. Foi conhecendo essa realidade de perto que o cobrador e professor de jiu-jitsu, Délio Lima de Souza, de 32 anos, resolveu criar o projeto social Formando Campeões.
Judoca há mais de dez anos, Délio utilizou o esporte que o ajudou a superar muitas barreiras para proporcionar inclusão e conscientização a crianças e adolescentes. 
O início foi complicado. Délio utilizava a garagem de casa como academia. Sem recursos financeiros para comprar materiais, ele improvisava uma lona no lugar do tatame. Além disso, os garotos usavam bermudas e camisetas  ao invés de quimonos.
Como se não bastassem essas dificuldades, Délio ainda tinha que driblar a desconfiança dos pais que enxergavam o jiu-jitsu como um esporte violento.
Com seriedade e dedicação, porém, ele começou a atrair os garotos para as aulas. Com isso, o projeto não demorou muito para crescer. Os pais deixaram a desconfiança de lado e passaram a procurar o treinador por vagas para seus filhos na academia.
"Ao ver os exemplos de vizinhos e amigos, os pais passaram a me procurar para pedir que eu colocasse seus filhos em uma turma. Eles diziam que as crianças e adolescentes estavam mais educados e felizes desde que começaram a participar do projeto", lembra Délio.
Atualmente, são mais de 50 inscritos entre crianças e adolescentes. A lona deu lugar a um tatame, comprado com dinheiro arrecadado por meio de uma feijoada beneficente, organizada pelo próprio treinador.
A situação, porém, ainda é precária. O tatame é pequeno, a maioria dos alunos treina sem quimono e o treino é realizado na rua. "Cada um aqui vive uma realidade. São crianças e jovens pobres, sem auxilio de ninguém. Quero ajudá-los a mudar suas vidas", diz Délio, que se vira para manter o projeto.
Crianças transformadas
O projeto tem modificado a realidade de muitas crianças carentes da comunidade. Taylan Nascimento dos Santos, de sete anos, é uma desses jovens. Conhecido no bairro como Chapolin, ele passava muito tempo na rua, bagunçando e brigando com outros garotos. Alguns moradores afirmaram que ele estava sendo aliciado para a criminalidade. Graças a um convite de Délio, porém, o garoto tem vivenciado uma nova realidade por meio do jiu-jitsu.
Taylan deixou de vagar pelas ruas e tem treinado duro para aprender as técnicas do jiu-jitsu, tudo para tornar-se um lutador profissional. Igual ao seu mestre. "Eu gosto muito de estar aqui fazendo jiu-jitsu. Passo o dia esperando a hora do treino. Estou treinando forte, aprendendo vários golpes para um dia eu ser um lutador igual ao meu mestre", diz Taylan.
Seu Jonadabe Santos, de 47 anos, é pai de Taylan e fala com alegria do projeto que transformou a vida do filho. "Esse projeto aqui é bom demais. Ele mudou muito a vida do meu filho. Hoje, ele não fica mais andando pela rua. Ele está aprendendo através do esporte a  ter mais disciplina, respeito e educação com o próximo", afirma Jonadabe orgulhoso.