
O MC Mr. Armeng e e o DJ Leandro Moraes investiram cerca de R$ 30 mil no estúdio Freedomsouldiscos, que funciona há oito anos (Foto: Bia Cristinee)
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Conseguir materializar o som que o artista idealiza em música capaz de ser apreciada por um público já é uma conquista importante, imagine ainda a possibilidade de transformar essa arte em grana. É uma verdadeira mágica na atual fase do mercado fonográfico.
Com a resistência necessária aos artistas independentes, os produtores especializados em músicos da cultura hip hop seguem enxergando harmonia, tempo certo das rimas e batidas com flow em meio a dureza que é buscar espaço no mundo do rap. Pensa que eles querem sair? Querem mesmo é investir.
"O nosso ideal é esse que o MC grave o CD deles para poder ter um bom material, apresentar seu trabalho de qualidade e ser contratado para fazer apresentações. Depois ele retornará para o nosso estúdio para fazer outras novas produção. Tudo é uma engrenagem”, analisa DJ Leandro.Exemplo disso, na história do hip hop baiano, é o estúdio Freedomsouldiscos, especializado em produzir MCs e grupo de rap. O vanguardismo de um MC e um DJ, Mauricio dos Santos, O Mr. Armeng e Leandro Moraes, 31 anos, o DJ Leandro, respectivamente, fizeram com que a criatividade dos artistas adquirisse forma de música.
Peça integrante desse “maquinário”, o estúdio Freedomsouldiscos está ativo há oito anos, em ritmo de produção variante, mas sempre em atividade. Nas “prateleiras” de produção do estúdio consta uma gama de mais de 30 artistas, somados a mais de 15 CDs que tiveram o som lapidado em concordância com o movimento hip hop.
Grupos como Fúria Consciente, Afrogueto e Nova Saga já produziram trabalho que levam o carimbo da dupla de músicos do estúdio. “Como somos especializados em produzir artistas do rap, que tem em seu som algumas particularidades, como o “bum” mais audível, a caixa mais seca, os rappers nos procuram por entendemos e conseguimos traduzir com mais facilidade essa linguagem”, explica Mr. Armeng.
Diferenciado
Com entendimento do artista e orçamento que pode variar entre R$ 50 a R$ 2 mil, a depender do trabalho produzido, a dupla atrai não só músicos do rap. Artistas como Magari Lord, SP Funk e Tonho Matéria já procuram o estúdio Freedomsouldiscos para gravação de faixas musicais.
A intenção é realmente “ampliar a visão”, como conta o DJ Leandro. “O ritmo tem que ser constante. Sempre estamos planejando eventos, estudando formas de melhorar nossos trabalhos para um futuro próximo, disponibilizar o estúdio para ensaios de bandas, adquirir mais e melhores equipamentos e continuar produzindo em quem acreditamos. Vivo de trabalhar para o Hip Hop. Tive, tenho e terei disposição para fortalecer a cultura”, defende.
Estúdio em casa
De mixes em mixes, beats em beats, versos em versos, buscando amplidão, autenticidade e a liberdade que a música rap possui, outros MCs e grupos independentes se favorecem da tecnologia e de uma boa dose de curiosidade.
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Alvaro Silva, o MC Alvaro Réu abriu o próprio estúdio em casa, e lista vantagens de se trabalhar nele (Foto: Bia Cristinee)
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Eles estão transformando quartos em verdadeiros estúdios de gravação. Alvaro Silva, o MC Alvaro Réu, 25 anos, queria produzir as suas próprias músicas. Buscava um pouco mais de liberdade na interpretação do seu som e mais economia na produção do seus raps.
“Montei o Home Studio da Colé de Mermo ao longo de três anos. Comecei com um computador, um programa para gravar música e um fone de ouvido. Estudei como se produzia música e assim produzi minha bases para elas. Então veio a necessidade de gravar e fui adquirindo mais equipamentos”, explica.
O MC vive o sonho de muitos: trabalhar em casa. E vivencia as vantagens deste tipo de empreendimento. “Eu organizo o meu ritmo trabalho de acordo com as regras da minha criatividade. Posso produzir durante toda a madrugada, já em outros dias seleciono a manhã e tarde para fazer minhas produções. Quando acontecem os encontros de amigos aqui em casa, sempre estamos “tirando” um som", relata.
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Ao longo de três anos, O MC investiu cerca de R$ 8 mil, mas põe na ponta do lápis o quanto ele economiza com o investimento. “Não enfrento o caos da cidade, vou de um quarto para o outro para produzir minha música. Produzo beats que podem custar de R$ 150 a R$ 800, crio sons para meus amigos e ainda me sobra tempo para me dedicar ainda mais a música”.
O Colé de Mermo também abre as portas para outros artistas independentes. “No home estúdio já foram gravadas músicas para Suburbano, Jamal, Shoes, Coscarque, além das participações no meu próximo CD”, pontua. O Mc Alvaro Réu acaba de produzir um CD inteiro, que lançará ainda em 2015.
“Os pontos negativos são as limitações das qualidades dos equipamento, como isolamento e monitor de referência. No entanto, economizo em dinheiro e tempo, além de contar com parcerias, que são comuns no hip hop. Um tem um estúdio com equipamentos que não tenho, ou de melhor qualidade que o meu. Assim, vou até lá ouvir as músicas que gravo aqui, e eles vem para aqui por conta de meu microfone e assim seguimos nos fortalecendo”, finaliza.
Fonte: Correio

