
Se as condições do mar estiverem adequadas, brasileiro deve entrar na água às 18h30min (Hora de Brasília)
Enquanto espera uma chance para poder definir o título mundial, o surfista Gabriel Medina vai lidando com a ansiedade da disputa, que está parada por causa das condições ruins do mar. No domingo, o Pipe Masters não teve nenhuma bateria devido aos ventos e correnteza muito fortes. Com isso, Medina deve voltar ao mar nesta segunda-feira, por volta das 18h30min (horário de Brasília), caso não ocorram novos impedimentos.
Líder do ranking do Circuito Mundial de Surfe, o garoto de Maresias, de apenas 20 anos, tem ofuscado até o 11 vezes campeão Kelly Slater, considerado o maior nome da modalidade na história. Para evitar a pressão, Gabriel Medina está blindado e até diminuiu a sua exposição nas redes sociais nos últimos dias. Tudo para não perder o foco. Slater acredita que seu rival pelo título está pronto para o desafio:
— Nos últimos anos, o Gabriel está focado em si mesmo e está acostumado com a mídia. Com o surfe crescendo exponencialmente, toda a cobertura aumenta, pois sei que no Brasil as pessoas gostam de jogar futebol e surfar. Acho que o surfe é um dos três maiores esportes no país — explicou.
Na corrida pela troféu, ele vê o brasileiro na dianteira e sabe que só um milagre pode garantir a sua 12.ª conquista. Entende inclusive que Mick Fanning está com melhores chances, mas não pretende desistir. O norte-americano foi campeão pela primeira vez quando tinha 20 anos, mesma idade de Medina agora, mas acha que as situações são bem diferentes.
— Eu estive lá, mas para mim não tinha mídias sociais e internet. Tinha muito mais espaço para mim naquele tempo... Na maior parte das vezes que competia em busca do título, estava viajando com um pequeno grupo de pessoas, com poucos surfistas, como Tom Curren e outros. Não havia essa cúpula, essa atenção toda — lembrou Kelly Slater.
Em alta
Independentemente de conquistar o título inédito para o Brasil, Medina já pode ser considerado um fenômeno esportivo. Tem 11 patrocínios e sua bateria na primeira fase da competição no Havaí, contra o australiano Dion Atkinson e o havaiano Reef McIntosh, bateu um recorde nas transmissões da ASP (Associação dos Surfistas Profissionais), com estimativa de 200 mil pessoas conectadas ao mesmo tempo.
Para se ter uma ideia da importância do Brasil no surfe, as transmissões das etapas são feitas em inglês e em português.
— Nossa língua é a única fora o inglês que está em todo o Circuito Mundial. Acho que isso é um reconhecimento pela evolução do esporte no Brasil e pela relevância dos nossos atletas — explicou Zé Paulo Ferreira, comentarista de surfe nas transmissões da ASP.
Com o surfe no olho do furacão neste final de ano, a tendência é esse interesse por Medina aumentar ainda mais. Diversas celebridades têm manifestado seu apoio, como o ex-tenista Gustavo Kuerten, amante do surfe e na torcida por Medina. A praia de Pipeline tem sido invadida todos os dias por brasileiros e a festa está pronta. Só falta decidir dentro da água.
— Estamos felizes com tudo isso, mas não podemos nos empolgar. Ninguém ganha de véspera — avisou Charles Saldanha, pai e treinador de Medina.
Ação
Com o adiamento das baterias, a definição da terceira fase do Pipe Masters, com a presença de Medina, Fanning e Slater, os três candidatos ao título, ficou para esta segunda-feira. Medina lidera o ranking mundial e, caso vença sua bateria na terceira fase, contra o havaiano Dusty Payne, ele já eliminará Slater da disputa e colocará pressão em Fanning, que precisará chegar no mínimo à final do Pipe Masters.
DISPUTA DO TÍTULO MUNDIAL:
- Se Medina ficar 13º lugar - na 3ª fase - será campeão mundial se Kelly Slater não vencer o Pipe Masters e Mick Fanning não chegar nas quartas de final, quando iguala os pontos do brasileiro.
- Se ficar em 9º lugar - (vencer a bateria deste domingo) - acaba com as chances de Kelly Slater quando passar da 3ª fase e obriga Mick Fanning a ser finalista em Pipeline para ainda ter chance de superar sua pontuação.
- Em 5º lugar - quartas de final - Mick Fanning passa a precisar da vitória no Pipe Masters para impedir o primeiro título de um brasileiro no Circuito Mundial
- Em 3º lugar - semifinais - Mick Fanning continua necessitando unicamente da vitória no Havaí para atingir 61.350 pontos
- CAMPEÃO MUNDIAL com a classificação para a final do Billabong Pipe Masters com imbatíveis 62.800 pontos nas nove etapas computadas no ranking do Samsung Galaxy ASP World Championship Tour 2014
TERCEIRA FASE DO BILLABONG PIPE MASTERS
1.a: John John Florence (HAV) x Adam Melling (AUS)
2.a: Owen Wright (AUS) x Fredrick Patacchia (HAV)
3.a: Michel Bourez (TAH) x Matt Wilkinson (AUS)
4.a: Josh Kerr (AUS) x Jadson André (BRA)
5.a: Miguel Pupo (BRA) x Filipe Toledo (BRA)
6.a: Gabriel Medina (BRA) x Dusty Payne (HAV)
7.a: Kolohe Andino (EUA) x Julian Wilson (AUS)
8.a: Bede Durbidge (AUS) x Adrian Buchan (AUS)
9.a: Mick Fanning (AUS) x Jeremy Flores (FRA)
10: Joel Parkinson (AUS) x Sebastian Zietz (HAV)
11: Nat Young (EUA) x Kai Otton (AUS)
12: Kelly Slater (EUA) x Alejo Muniz (BRA)
CONFIRA A CLASSIFICAÇÃO ANTES DA ÚLTIMA ETAPA
2.a: Owen Wright (AUS) x Fredrick Patacchia (HAV)
3.a: Michel Bourez (TAH) x Matt Wilkinson (AUS)
4.a: Josh Kerr (AUS) x Jadson André (BRA)
5.a: Miguel Pupo (BRA) x Filipe Toledo (BRA)
6.a: Gabriel Medina (BRA) x Dusty Payne (HAV)
7.a: Kolohe Andino (EUA) x Julian Wilson (AUS)
8.a: Bede Durbidge (AUS) x Adrian Buchan (AUS)
9.a: Mick Fanning (AUS) x Jeremy Flores (FRA)
10: Joel Parkinson (AUS) x Sebastian Zietz (HAV)
11: Nat Young (EUA) x Kai Otton (AUS)
12: Kelly Slater (EUA) x Alejo Muniz (BRA)
CONFIRA A CLASSIFICAÇÃO ANTES DA ÚLTIMA ETAPA
