
Com 84 anos de história, o Esporte Clube Bahia está prestes a passar por mais um momento decisivo. No dia 13 de dezembro, uma semana depois do jogo que pode colocar o tricolor na Série B, o futuro do Esquadrão será decidido na Arena Fonte Nova, com a eleição que vai escolher o novo presidente do clube. Está nas mãos do torcedor, que tanto lutou para implantar as eleições diretas no Bahia, escolher um dos sete candidatos para representá-lo.
Colocaram-se na disputa as chapas "A vez do futebol", liderada por Marcelo Sant'Ana e Pedro Henriques; "Nova ordem tricolor", encabeçada por Marco Costa e Leandro Neves; "A voz do campeão", com Olavo Fonseca e Fernando Jorge Carneiro. Além destes, ainda se candidatam Nelsival Menezes e Adriano Lacerda na chapa "Vida nova"; Flávio Alexandre - o Binha de São Caetano - e José Luiz Rebouças, na "Bahia campeão dos campeões", e Antônio Tillemont e Ricardo Tupinambá, na "Integridade tricolor". Inegavelmente, após a deposição do ex-presidente Marcelo Guimarães Filho, houve muitos avanços no Bahia como instituição - e o processo democrático é a maior deles.
Contudo, a falta de planejamento e as contratações pífias coordenadas pelo vice-presidente Valton Pessoa atrapalharam o mandato-tampão de Fernando Schmidt. Agora, é a hora do torcedor mostrar sua força mais uma vez. Conheça mais dos candidatos, saiba a opinião institucional do Grupo Metrópole e comece a decidir seu voto. E não esqueça: na semana que vem, a Metrópole vai organizar um debate com os postulantes ao cargo.
Para Sant'Ana, Bahia tem que ser referência em gestão administrativa
Um dos favoritos na disputa à presidência do Esporte Clube Bahia, o jornalista Marcelo Sant'Ana, de 33 anos, que lidera a chapa "A vez do futebol", vem angariando apoios importantes para a disputa. Uma delas foi a de Rui Cordeiro, que abdicou de sua candidatura em favor do adversário. Para Sant'Ana, o tricolor não é somente um clube, mas, sim, "uma entidade que representa milhões de apaixonados".
"Eu topei este desafio consciente da dificuldade dele. A atual diretoria teve um desempenho fraco, mas teve bons avanços na parte de patrimônio. Hoje, o Bahia é um clube que o resultado em campo nos decepciona, mas, administrativamente, ele vai bem", disse, em entrevista à Rádio Metrópole. Segundo Sant'Ana, o Bahia precisa ser competitivo no mercado. "O Bahia tem que ser referência de gestão administrativa. O clube e sua torcida não têm o direito de retroceder em práticas, ações, ideias e alianças", ressaltou.
Tillemont: claro conflito de interesses
O radialista e empresário de futebol Antônio Tillemont se candidatou mais uma vez à presidência do Bahia. Apesar de espalhar há muito tempo que não tem nenhum interesse financeiro no clube, Tillemont continuou como sócio da empresa Antoniu's - que gerencia a carreira de jogadores de futebol. O empresário, porém, mostrou nesta semana um documento no qual pede à Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb) a sua retirada do quadro societário da Antoniu's.
Apesar disso, a mudança ainda não foi deferida. Segundo documento emitido pelo Conselho Deliberativo do Bahia, em julho último, a Antoniu's tem participação nos contratos de vários jogadores do elenco, como o goleiro Jean, os laterais Vitor, Uéslei, Vinícius e Felipe e o atacante Gustavo, todos da base, e os profissionais Feijão e Uelliton, ambos volantes. Além disso, a Antoniu's tem vários processos trabalhistas contra o clube - o que configuraria um claro conflito de interesses por parte de Tillemont. Esta situação é criticada por Olavo Fonseca, candidato da chapa "A voz do campeão". "Ele [Antônio Tillemont] tem 20 atletas no Bahia. Existem causas trabalhistas que podem prejudicar o Bahia", falou à Metrópole. O Jornal da Metrópole tentou entrar em contato com Tillemont na manhã de quarta (3), mas não obteve sucesso.
Olavo Fonseca defende choque de gestão
Candidato pela chapa "A Voz do Campeão", o engenheiro Olavo Fonseca contou em entrevista à Rádio Metrópole, nesta quarta-feira (03), o motivo pelo qual decidiu se candidatar. "Eu sou Bahia desde pequeno, desde os seis anos de idade. Vi o Bahia ser campeão brasileiro, estar na Série B e C. Agora, com o advento da democracia, vimos que nenhum representa um choque de gestão. É a hora de a gente trabalhar pelo Bahia. Como os pré-candidatos não tinham esse perfil, procuramos um jeito de ajudar", explicou.
"Vamos fazer um choque de gestão. É um sistema que tem que ser bem-definido. Nós não temos isso na atual gestão, com cinco ou quatro diretores de futebol. Tem que ter setores interligados, com cobrança da meta", destacou Olavo Fonseca. Fonseca garante que vai levar sua experiência administrativa para o clube. Ele diz que vai trabalhar por uma divisão de base que busque excelência, e condena o que chama de "amadorismo" nas finanças do tricolor, principalmente no futebol profissional.
Apoiam a candidatura de Fonseca o diretor de Competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Virgílio Elísio, e o ex-diretor de Finanças do Clube, Reub Celestino, que saiu após desgastes com o vice-presidente, Valton Pessoa. Elísio, aliás, chegou a ser fortemente cogitado a lançar uma candidatura, mas recusou o convite, por causa de sua saúde atualmente frágil.
Marco Costa promete planejamento
Encabeçada pelo ex-diretor de Marketing do clube, Marco Costa, a chapa "Nova ordem tricolor" tem entre suas principais metas direcionar a atenção do clube para o mercado do futebol nordestino. "Somos um grupo de jovens, com planejamento traçado para os próximos 12 anos, mas sempre com minimetas a serem cumpridas", disse Costa, em entrevista ao site Bahia Notícias.
Binha: candidato folclórico
Entre os candidatos a presidente, dois se diferenciam por fazer parte de torcidas organizadas do Bahia: Ronei Carvalho e Binha de São Caetano. Carvalho foi presidente da "Terror tricolor" e encabeça a chapa "A vez da arquibancada". Ele diz se espelhar no ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez. "Eu vim para atender as reivindicações dos torcedores, que são os verdadeiros donos do clube", afirmou em recente entrevista.
"O Bahia precisa de um choque de gestão, fazer uma limpeza geral em tudo. Temos que mudar, a gente precisa fazer uma reformulação total dos jogadores e abrir as contas para o torcedor", disse. Tido como figura folclórica pela torcida tricolor, Binha de São Caetano surpreendeu muita gente ao se candidatar. Depois de anos ganhando passagens e hospedagem de antigas diretorias tricolores, agora ele planeja assumir a presidência do clube. Alguém embarca?
Menezes diz que vai enxugar folha de pagamento do futebol
Doutor em Ciências da Educação Física e oficial da Polícia Militar, Nelsival Menezes, outro candidato à presidente do Bahia, foi preparador físico do clube nos anos 1970, quando sagrou-se heptacampeão baiano. Já nos anos 1980, Menezes foi técnico das divisões de base do clube, ocupando atualmente a função de professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e delegado do Conselho Federal dos Direitos Humanos.
"A competição vai ser acirrada. Estou na campanha com a intenção de ajudar o Esporte Clube Bahia e me sinto em condições de ser presidente do Clube", disse em entrevista à rádio CBN. Menezes afirmou que a primeira medida a ser tomada é enxugar a folha de pagamento do futebol profissional e fazer um diagnóstico preciso da atual situação do Bahia.
Fonte: Metropole