
O menino de 1 ano e oito meses foi atingido na barriga por uma bala perdida enquanto estava no colo do avô. Eles estavam na porta de casa quando grupos de traficantes rivais começaram a atirar. "Quando viram que o bebê levou o tiro eles foram embora”, conta vizinho
“Ele estava nos meus braços e eu não consegui fazer nada. Por um milagre eu não fui atingido também”. Emocionado, Rubem Alberto da Silva Lago, 69 anos, resumiu seu desespero quando percebeu que seu neto, o bebê Mario Gabriel Lagos Sansão, de um ano e oito meses, foi atingido por uma bala perdida, na manhã do domingo (30), por volta das 9h30, na Rua Poli, na Estrada da Cocisa, em Paripe.
![]() |
|---|
Rubem segurava seu neto no colo quando o bebê foi atingido por tiro
(Foto: Betto Jr) |
O menino estava na porta de casa, no colo do avô, quando dois grupos de traficantes rivais começaram a atirar. O tio do menino, Rubem Alberto da Silva Lago Junior, 29, contou que ele estava fazendo um serviço em seu carro na porta de casa e o pai chegou com o sobrinho e eles ficaram lá conversando.
“De repente a gente ouviu os disparos e todo mundo começou a correr e se abaixar”, lembrou. De acordo com Rafael Chaves, 26 anos, vizinho da vítima, foram cerca de três bandidos de duas facções rivais que começaram o tiroteio. “Eles pareciam ser menor de idade. Quando viram que o bebê levou o tiro um deles falou: ‘o tiro pegou no menino, vamos, vamos!’ E foram embora”, disse.
![]() |
|---|
Bebê foi atingido na barriga(Foto: Reprodução/Betto Jr)
|
O tiro atingiu a barriga da criança. Segundo a tia do bebê, Geisa Lago, 30 anos, o menino passou por uma cirurgia na manhã de ontem, mas de acordo com informações de funcionários do hospital repassadas à família ele não corria risco de morte.
Ainda segundo a tia, os pais da vítima, o chefe de armazém Mario Sansão, 39 anos, e a doméstica Tatiane Sousa Lago, 31 anos, estão muito abalados.
“Eles não querem nem falar e nem aparecer, porque estão com medo”, disse. Ele tem ainda mais uma irmã, de 8 anos, e três irmãos por parte de pai.
O vizinho Rafael Chaves contou que o local vive a mercê da guerra do tráfico e que a troca de tiros entre traficantes é frequente. “Lá é só bala e fogo. E nós moradores ficamos reféns dentro de casa com medo de sair”, falou.
O tio do menino revelou que existem duas bocas de fumo no bairro de facções rivais e que elas disputam o poder no tráfico de drogas da região constantemente.
Agentes da 5ª Delegacia de Polícia, em Periperi, informaram ontem que os responsáveis pelos disparos ainda não foram identificados.
De acordo com o boletim de ocorrência, o carro de Rubem também foi alvejado por dois tiros enquanto levava o menino para o hospital.
Fonte: Correio

