POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL

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FOI RETIRADA DO AR!

Após 12 anos fechada, mansão Richthofen é vendida


E se você descobrisse que, na sala da sua elegante cobertura, em um ponto entre o sofá e a mesa de jantar, um homem foi esquartejado anos atrás? Ou que, há poucos meses, antes da sua mudança para esse belo apartamento, uma criança foi atirada da janela do quarto onde hoje dorme seu filho pequeno? Você continuaria morando nesse lugar?
A maioria das pessoas, ao que parece, responderia “não”. Afinal, imóveis que foram cenários de crimes famosos na cidade de São Paulo costumam ficar encalhados ou fechados por anos a fio até que um novo morador apareça.
O apartamento da família Nardoni, por exemplo, palco da morte da menina Isabella em 2008, ficou vazio até o começo de 2013 por total falta de interessados. Na rua Cuba, no Jardim Europa, a casa onde Jorge Bouchabki e sua mulher foram mortos na véspera de Natal de 1988 permaneceu sem ninguém por 14 anos.
Para a diretora de comercialização do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), Roseli Hernandes, a superstição e a crença de que os locais teriam "energias negativas" são as principais causas da dificuldade em vender essas propriedades.  
— São imóveis que sempre sofrem desvalorização. Em um primeiro momento, o preço cai muito, até 30%. Mas, com o passar dos anos, as pessoas vão se esquecendo daquele acontecimento, e aquilo tudo se apaga, fazendo o valor voltar ao normal.
Segundo Roseli, ainda que se trate de um “fator apenas psicológico”, já que o histórico negativo não chega a ser um problema palpável que possa prejudicar os novos moradores, é recomendável que os corretores informem aos interessados sobre o que aconteceu naquele local.
— É nossa obrigação apontar características que possam dificultar a convivência da pessoa e de sua família em qualquer imóvel: feiras livres na rua, vizinhança etc. Em relação aos crimes, é uma questão relativa, principalmente porque não há danos graves que possam colocar em risco o uso pacífico da casa ou do apartamento. Então, cabe ao corretor decidir se informa ou não.
Obviamente, em situações envolvendo assassinatos que ficaram famosos, é pouco provável que um novo inquilino arremate o imóvel desconhecendo sua história. Mas, e no caso das mortes naturais, que acontecem todos os dias nas cidades grandes?
Com suas casas centenárias e prédios que datam de muitas décadas atrás, São Paulo torna-se uma cidade em que é praticamente impossível acessar o histórico completo de todos os antigos moradores de um imóvel.
Sendo assim, se fica difícil saber quem morou ali, por quanto tempo e em quais circunstâncias, é ainda mais improvável ter informações a respeito de óbitos que aconteceram naquele local.
De qualquer maneira, sendo célebres ou anônimas, as mortes nos imóveis podem, sim, ser motivo para que o novo morador peça seu dinheiro de volta, como explica a diretora do Secovi. 
— Quando o inquilino entra na casa sem saber do que aconteceu, só descobre um tempo depois e então se sente lesado, pode pedir para desfazer a transação e até mesmo entrar na Justiça com um processo de perdas e danos.
Após 12 anos fechada, mansão Richthofen é vendida
Depois de 12 anos fechada, a mansão onde foram assassinados Manfred e Marísia von Richthofen, em São Paulo, tem um novo dono. Em 31 de outubro de 2002, o casal foi assassinado a mando da filha Suzane (que tinha 19 anos) pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. O novo proprietário do imóvel prefere o anonimato.
Há cerca de três meses, a casa no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo, começou a ser reformada. Quem passa pela rua tranquila vê um grande muro e dois portões pintados de branco. Não lembra em nada a antiga fachada, que era de tijolo aparente, recoberta por vegetação, e que ainda estampava várias pichações feitas logo depois do crime. Como estava difícil apagar frases do tipo “matou os pais” e “lágrimas Jesus chorou”, a solução foi cimentar a fachada e cobrir com tinta. Assim, o imóvel ganhou uma cara nova. Por enquanto não há campainha ou porteiro eletrônico.
A reforma na casa, segundo uma pessoa que acompanhou as obras, deve ser concluída antes do Natal. Agora faltam apenas alguns retoques, mas quando o trabalho começou havia muito o que ser feito no imóvel abandonado. Só dos jardins foi retirado material (como galhos e restos de plantas) suficiente para encher um caminhão.
Os poucos objetos que estavam na parte interna da residência antes da venda foram concentrados em um único cômodo. Recentemente, Andreas, o único irmão de Suzane, que mora na Europa, foi até a antiga casa para pegar alguns livros. Por conta do abandono, a casa teve problemas com cupins e excesso de umidade.
A advogada de Andreas, Maria Aparecida Evangelista, foi procurada para dar mais detalhes sobre a venda da casa da família Richthofen, mas disse que preferia não se manifestar.
Briga pela herança
A disputa pela herança da família Richthofen durou mais de uma década. Só em outubro passado Suzane dediciu abriu mão dos bens. O valor do espólio chegaria a pelo menos R$ 10 milhões e a filha do casal teria direito a metade.
Os bens da família Richthofen teriam motivado o crime, segundo os promotores do caso. Mas Suzane alegou na época do assassinato que estava infeliz com os pais porque eles teriam criado dificuldades no seu namoro com Daniel Cravinhos.
O crime e o casamento no presídio
Manfred e Marísia von Richthofen foram encontrados mortos no quarto do casal em 31 de outubro de 2002. Eles foram atacados por Daniel e Cristian Cravinhos com golpes de barra de ferro. Marísia não morreu na hora e foi sufocada com um saco na cabeça e, em seguida, estrangulada. Os três tentaram simular um assalto. Para isso, levaram dinheiro e jóias.
A polícia foi chamada por Daniel, que disse suspeitar que havia ladrões na casa. Eles chegaram a ir ao enterro de Manfred e Marísia. Dias depois, a polícia conseguiu provas de que os irmãos e a filha do casal estavam envolvidos nos assassinatos.
Suzane foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão. Em outubro passado, foi noticiado que ela se casou na penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, com Sandra Regina Gomes, condenada a 27 anos de prisão pelo sequestro de uma empresária.
Na ocasião, Suzane abriu mão da disputa pela partilha da herança dos pais em comunicado enviado à Justiça. A detenta manifestou "sua intenção de desistir da herança dos seus genitores". O processo de inventário e partilha corre na Justiça desde dezembro de 2002, dois meses após o crime. 
A declaração de vontades de Suzanne foi homologada pela Justiça, que sentenciou o processo de partilha em favor de Andreas von Richthofen, irmão dela.

Fonte: IG