

A proibição do telemarketing para fazer propaganda eleitoral, divulgada em resolução pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em fevereiro deste ano, despertou a criatividade dos políticos, que apelaram às mensagens de texto para conquistar o voto até o último minuto. O texto do TSE não traz qualquer referência aos SMS ou uso de WhatsApp, abrindo uma brecha para uma abordagem indesejada que, sem regulamentação, revolta internautas.
Brecha na resolução
Apenas no quarto capítulo “Propaganda Eleitoral na Internet” do documento, o órgão cita a permissão das mensagens eletrônicas com as seguintes regras: que os endereços sejam cadastrados gratuitamente pelo candidato, partido ou coligação; com conteúdo gerado ou editado por candidatos, partido ou coligação e que ofereçam espaço para decadrastamento, que deve ser realizado em até 48h. O eleitor alvo dos SMSs pode buscar um advogado e entrar com uma ação contra o candidato.
O conceito “mensagem eletrônica”, corriqueiramente usado para classificar e-mail, tem definição ampla para o TSE. “[Com a definição ampla] podemos entender SMS como um tipo de mensagem eletrônica. Caso haja algum questionamento sobre o tema, a Corte teria que analisar o caso concreto”, disse o órgão por meio de assessoria de imprensa, ressaltando que ainda não recebeu pedidos.
É exatamente a diversidade de interpretações e ausência de clara proibição que estimula o envio deliberado de propaganda política. “A interpretação pode existir de diversas maneiras. E aí é que está o problema da lei atual, ela não é específica em relação ao SMS ou WhatsApp. Aí precisamos encaixar [cada caso] para entender se é permitido ou não. Fica um pouco vago", opinou a advogada Maria Silvia Salata, especialista em direito eleitoral.
Maria acredita ainda que mesmo adotando a nomenclatura “mensagens eletrônicas”, como sugere o TSE, as mensagens dos políticos enviadas aos internautas (veja na galeria acima) apresentam irregularidades e ferem dois requisitos já que não apresentam direito de resposta ao eleitor e com números aparentemente coletados por uma empresa. “Aí tem que analisar caso a caso para ver se entraríamos em até outras esferas além das mensagens de texto. E quem não recebeu pode se preparar. A tendência é o aumento no volume das mensagens quando entrarmos na reta final do pleito”, disse.
