
Dilma Rouseff (PT) liderou a conquista de seguidores no Facebook no primeiro mês de campanha, e se aproximou de Aécio Neves (PSDB), seu principal rival. O tucano, que tem o maior número de fãs, ultrapassou Eduardo Campos (PSB). Os três, porém, vêm causando cada vez menos barulho entre seus seguidores na rede social, a mais popular entre os brasileiros – 30% dos internautas nacionais a utilizam.
O índice de engajamento de Aécio, que também está no topo nesse quesito, era de 2,4% na primeira semana de julho, caiu para 1,6% no final do mês e está em 1% nesta semana. Para Dilma, a queda foi de 1,6% para 1,04% e 0,75%. Nos mesmos períodos, Campos registrou engajamentos de 0,5%, 0,37% e 0%.
"Isso mostra que o público estava muito focado na Copa do Mundo, e que com o fim do evento, caiu o engajamento em todas as páginas [desde então]. Agora eu creio que esse engajamento volte a subir."
Lima ressalta ainda que a queda não é necessariamente ruim: o polêmico aeroporto de Cláudio (MG), construído pelo governo de Minas Gerais a 6 km de uma fazenda da família de Aécio Neves (PSDB), foi citado na postagem mais popular do tucano neste início de campanha, que tratava sobre as intenções de voto do candidato em Goiás.
"Se você publicou um post sobre um tema qualquer, mas na mídia, naquele momento, está um escândalo na mídia, isso pode impactar no engajamento", afirma Lima.
Facebook ainda não funciona como fórum de discussão
As redes sociais como o Facebook, que estiveram no centro da mobilização social ocorrida em junho de 2013, poderão ter um papel relevante no processo eleitoral deste ano, avalia o cientista político e coordenador do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), Luiz Ademir de Oliveira.
A forma como as candidaturas vêm utilizando as páginas oficiais, entretanto, tem deixado a desejar.
Um dos motivos é a profusão de postagens: em 20 de julho, por exemplo, a equipe de Dilma fez 20 publicações na página da presidente – em média foram 9 por dia no primeiro mês de campanha.
Além disso, ressalta Oliveira, as publicações abrangem sobre temas muito diversos – diferentemente de um programa eleitoral de TV, que geralmente elege um tema específico –, e são misturadas como conteúdos sobre o dia a dia da campanha.
"O grande problema das fanpages é que elas não conseguem ser um fórum [para discussão]", afirma o professor, ao iG. "O eleitor não consegue ter um foco. Essa fragmentação tão grande cria uma dificuldade para fixar conteúdo, ao contrário da prograganda eleitoral da televisão."
Oliveira ressalta ainda que as campanhas não têm conseguido explorar a possibilidade de interagir com o eleitor dada pela rede social: mesmo com mais de um milhão de seguidores cada um, Aécio e Campos não conseguiram chegar a 100 mil curtidas ou comentários durante o primeiro mês de campanha.
"E essa interatividade é falsa, [uma vez que] são páginas oficiais de propaganda dos candidatos."
Fonte: IG (Miro Psaros)